21 dezembro 2007

Conselhos Adequados...

Para os bombeiros involuntários deste mundo, que tenham decidido que já chega e querem pertencer a essa classe estranha (embora classificada como normal) que são os casados anónimos, a solução distribuída na sabedoria das crianças...
Embora, se realmente estão encalhados no nosso quartel, não há grande solução, pois não? hehehe...


HOW DO YOU DECIDE WHO TO MARRY?

You got to find somebody who likes the same stuff. Like, if you like sports, she should like it that you like sports, and she should keep the chips and dip coming.-- Alan, age 10 (true sports fan)

No person really decides before they grow up who they're going to marry. God decides it all way before, and you get to find out later who you're stuck with.-- Kirsten, age 10

WHAT IS THE RIGHT AGE TO GET MARRIED?

Twenty-three is the best age because you know the person FOREVER by then.-- Camille, age 10

No age is good to get married at. You got to be a fool to get married.-- Freddie, age 6.

HOW CAN A STRANGER TELL IF TWO PEOPLE ARE MARRIED?

You might have to guess, based on whether they seem to be yelling at the same kids.
-- Derrick, age 8 (so true)

WHAT DO YOU THINK YOUR MOM AND DAD HAVE IN COMMON?

Both don't want any more kids.-- Lori, age 8

WHAT DO MOST PEOPLE DO ON A DATE?

Dates are for having fun, and people should use them to get to know each other. Even boys have something to say if you listen long enough.-- Lynnette, age 8 (isn't she a treasure)

On the first date, they just tell each other lies and that usually gets them interested enough to go for a second date.-- Martin, age 10

WHAT WOULD YOU DO ON A FIRST DATE THAT WAS TURNING SOUR?

I'd run home and play dead. The next day! I would call all the newspapers and make sure they wrote about me in all the dead columns.-- Craig, age 9

WHEN IS IT OKAY TO KISS SOMEONE?

When they're rich.-- Pam, age 7

The law says you have to be eighteen, so I wouldn't want to mess with that.-- Curt, age 7

The rule goes like this: If you kiss someone, then you should marry them and have kids with them. It's the right thing to do.-- Howard, age 8

IS IT BETTER TO BE SINGLE OR MARRIED?

It's better for girls to be single but not boys. Boys need someone to clean up after them.-- Anita, age 9

HOW WOULD THE WORLD BE DIFFERENT IF PEOPLE DIDN'T GET MARRIED?

There sure would be a lot of kids to explain, wouldn't there? -- Kelvin, age 8

And the #1 Favorite is....HOW WOULD YOU MAKE A MARRIAGE WORK?

Tell your wife that she looks pretty, even if she looks like a truck.-- Ricky, age 10 (future diplomat)

16 dezembro 2007

Conto de Natal

Porque tá na altura, dou o mote prós contos de Natal deste ano. Este encontrei-o bem aqui ó...

http://afundasao.blogspot.com/2006_02_01_archive.html

Porque a epoca dos tabus tá a acabar (ou assim nos dizem), aconselho todos a dar um pulinho no que é um dos melhores blogues portugueses....claro que apenas a seguir ao nosso excelso espaço...


O almoço de Natal

A mesa estava posta com o requinte que a quadra exige: toalha de pano com motivos natalícios; os melhores talheres e loiças; ilustres copos de pé alto e uma vela acesa no centro da mesa.
Os quatro, pai, mãe, filha e genro, de guardanapos no colo, preparavam-se para o almoço de Natal, de sorrisos em formol e palavras em surdina.
O genro sentia uma inusitada e inexplicável frieza, confirmada quando o sogro lhe serviu um vinho tinto corrente de uma marca de supermercado. Algo não estava bem, nada bem.
Enquanto a sogra se levantava para abrir a terrina e servir a sopa, ele procurou os olhos da mulher tentando obter uma justificação, uma pista que lhe permitisse ter uma ideia do que se estava a passar. Ela ostensivamente baixou os olhos, evitando qualquer contacto. Resignado, agradeceu a sopa, pegou na pesada e amarelecida colher e começou lentamente a comer, calculando a qualidade e quantidade de elementos químicos que iria absorver no contacto com os vetustos talheres.
Todos comiam em respeitoso silêncio, até que
– Nunca me bates nas nádegas – disse a mulher, entre duas colheres de sopa.
Ele engasgou-se, tossiu, olhou para os sogros que não deram sinais de ter ouvido a queixa da filha e olhou-a para confirmar que tinha ouvido o que ouvira.
Ela acenou com a cabeça, confirmando a afirmação.
Ele levou outra colher de sopa à boca, procurando na normalidade do movimento algum consolo e segurança.
– Nunca me bates nas nádegas – tornou ela a lamuriar-se.
Ele abafou um risinho nervoso que lhe tomava conta do peito e ameaçava explodir descontroladamente e, sem levantar a cabeça, pousou a colher no prato, procurou o copo e preparava-se para beber quando o sogro lhe perguntou de chofre:
– Não estás a ouvir, João?
Ele perdeu a noção do espaço, sentiu uma vertigem e derrubou o copo cheio de vinho tinto, fazendo a mulher e os sogros darem um salto, afastando-se da maré vinícola que se espalhava em todas as direcções. Ele olhou a mesa a escorrer, balbuciou um abafado pedido de desculpas, endireitou o copo e erguendo-se devagar, apoiado na mesa, reafirmou:
– Desculpem, não sei o que se passou.
– Nós é que não sabemos o que se passa, João! – Recriminou a sogra, ríspida, como ele nunca a vira ou ouvira. – A Luisinha diz que tu não lhe bates nas nádegas!
Ele tornou a sentar-se, incrédulo.
O sogro, ainda em pé, tomou a palavra:
– Sim, a Luísa tem-se queixado à mãe que, desde que vocês se casaram, tu nunca mais lhe bateste nas nádegas.
– Eu nunca lhe bati nas nádegas – respondeu ele, num fio de voz.
– Pior – gritou o sogro. – É verdade, Luísa, este animal nunca te deu umas boas palmadas nas nádegas?!
– Não, paizinho, nunca... – choramingou a Luísa.
– Ó meu Deus – invocou a sogra, juntando as mãos no peito – isso é que tu nunca me tinhas dito, filha...
A mãe aproximou-se da filha e abraçou-a.
– Eu pensava que depois de casarmos...– começou a Luísa.
– Não, não! – Gritou o pai. – Casaste com um banana, filha! Um banana!
– Ó paizinho, não diga isso. – A Luísa largou a mãe, que chorava olhando o genro, e, virando-se para o pai, continuou: – Eu pensava que se me pusesse a jeito ele se entusiasmasse, paizinho, se entusiasmasse e me desse umas palmadas nas nádegas...
– Ó filha, te pusesses a jeito, filha... – soluçou a sogra. – És um anjo, minha filha, mas o João não é para ti, o teu pai tem razão, ele é um banana.
– Um banana! – Tornou o sogro, satisfeito com a escolha da fruta. – Nem umas palmadas nas nádegas da mulher sabe dar, o banana! Que tristeza... Que pouca sorte...
– Mas eu não sabia que ela gostava – tentou ele justificar.
– Não gostava?! – Rosnou a sogra. Ele olhou-a espantada, ela olhava-a, mas não o via. – Não gostava?! Mas há lá alguma mulher que não goste de levar umas boas palmadas nas nádegas?!
Ele sentiu a boca abrir e fechar sem produzir nenhum som. Viu o vinho entornado, a sopa coalhada e o cabrito assado em cima do fogão a rir-se, gozando-o.
– És um banana – repetia o sogro, abanando a cabeça e olhando-o com absoluto desgosto e desânimo. – És um banana.
– Ela nunca me disse nada – gemeu ele. – Podia ter dito.
– Podia ter dito?! – A sogra estava completamente descontrolada. – Podia ter dito?!
– Calma, mãezinha, calma.
– Mas quem é que tu pensas que a minha filha é? – Gritou a sogra. – Pensas que ela é o quê?!
– Calma, mulher – recomendava o sogro, já sentado, mas afastado da mesa, – calma.
– Calma, nada! – A sogra impôs-se, baixou o tom de voz, que continuava ameaçador e continuou: – Então, o senhor queria que a minha filhinha lhe pedisse – fez voz de coitadinha – "Ó Joãozinho, bate-me, bate-me nas nádegas, que eu gosto."
Ele olhou a sogra sem saber se havia de dizer alguma coisa, pensou em dizer que sim, que se ela gostava devia tê-lo dito, mas em boa hora não o fez, pois, o pior ainda estava para vir:
– A minha filha não é nenhuma rameira! – Espumou a sogra. – Pode gostar que lhe batam nas nádegas, como todas as mulheres, mas não o diz. Não o diz, ouviu?! É educada! Educada!
A filha abraçou a mãe que chorava baba e ranho – mais ranho que baba, mas isso é irrelevante – e fez sinal ao pai para dizer qualquer coisa.
O pai, compreendendo o melindre da situação e temendo que o cabrito ficasse rijo ou mesmo que encarquilhasse com o frio – as personagens pensam assim, o que pode um narrador fazer? O homem era maluco –, tornou a encher o copo do genro e disse:
– O que é que tu pensas da vida, meu rapaz?
A filha acenou-lhe agradecida, a mãe fungava e o genro sentiu que tudo se podia ainda compor.
– Achas que consegues dar conta do recado? – Insistiu o sogro.
– Deixe-me comer o cabrito – disse o genro, cheio de valentia, – que eu logo lhe dou o que ela quer.
A sogra suspirou e assoou-se ruidosamente, desanuviando o ambiente.
– Amanhã nem te sentas! – Berrou o pai, com uma gargalhada.
– Ó paizinho... – disse a filha, embevecida perante a perspectiva.
– Também não é preciso exagerar – aconselhou a mãe enquanto limpava o nariz. – As nádegas precisam de habituação e cuidado... É preciso jeitinho...
– Com jeito vai... – berrou o sogro, rindo. – Com jeito!
Ela lançou-lhe um beijo, ele respondeu mordendo o lábio inferior e com a mão direita deu umas palmadas em nádegas imaginárias.
– Tem jeito, o gajo – lançou o sogro, fazendo um brinde com o genro: – Que nunca nos faltem nádegas, meu rapaz!
– Que falta de educação, Francisco – recriminou a sogra, pegando na colher com ar afectado, enquanto eles batiam com os copos. – Que falta de educação.